Receber o resultado de um ultrassom informando a presença de um cisto no ovário costuma gerar preocupação. Para muitas mulheres, a primeira pergunta é quase automática:
“Será que isso é câncer?”
A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, a resposta é não.
Os cistos ovarianos são extremamente comuns e fazem parte da vida de milhões de mulheres. A maioria é benigna, não causa sintomas importantes e pode desaparecer espontaneamente ao longo de alguns meses.
Por outro lado, alguns cistos merecem investigação mais detalhada, principalmente quando apresentam características específicas no ultrassom, surgem após a menopausa ou estão associados a sintomas persistentes.
Saber diferenciar essas situações é fundamental para evitar tanto a ansiedade desnecessária quanto o atraso no diagnóstico de doenças que realmente precisam de tratamento.
Neste artigo, você entenderá como os cistos se formam, quais são os principais tipos, quando existe suspeita de câncer e como os médicos avaliam cada caso de forma individualizada.
O que você precisa saber
✔ A maioria dos cistos no ovário é benigna.
✔ Nem todo cisto precisa de cirurgia.
✔ Muitos cistos desaparecem espontaneamente.
✔ O ultrassom transvaginal é o principal exame para avaliação inicial.
✔ Características como idade, menopausa, aspecto do cisto e sintomas ajudam a definir o tratamento.
✔ Em casos selecionados, a cirurgia robótica pode oferecer uma abordagem minimamente invasiva com recuperação mais rápida.
O que é um cisto no ovário?
O ovário é um órgão responsável pela produção dos hormônios femininos e pela liberação dos óvulos durante o período reprodutivo.
Ao longo da vida fértil, é completamente normal que pequenas estruturas preenchidas por líquido apareçam temporariamente nos ovários.
Essas estruturas são chamadas de cistos ovarianos.
Em termos simples, um cisto é uma bolsa que contém líquido, material espesso ou, em alguns casos, outros tipos de tecido.
Embora a palavra “cisto” costume causar preocupação, ela não significa automaticamente câncer.
Na verdade, a maioria dos cistos representa alterações fisiológicas relacionadas ao próprio funcionamento do ovário.
Como um cisto se forma?
Todos os meses, durante o ciclo menstrual, um dos ovários inicia o desenvolvimento de diversos folículos.
Cada folículo contém um óvulo.
Normalmente, apenas um deles se torna dominante e cresce até liberar o óvulo no momento da ovulação.
Após essa liberação, o folículo sofre uma transformação natural, originando uma estrutura chamada corpo lúteo, responsável pela produção de progesterona.
Em algumas situações, esse processo fisiológico não ocorre exatamente como esperado.
O folículo pode continuar acumulando líquido ou o corpo lúteo pode permanecer aumentado por mais tempo.
É assim que surgem os chamados cistos funcionais, os tipos mais comuns de cistos ovarianos.
Esses cistos fazem parte da fisiologia do ovário e, na maioria das vezes, desaparecem espontaneamente sem necessidade de tratamento.
Todos os cistos são iguais?
Não.
Essa é uma das informações mais importantes para compreender.
Quando uma paciente recebe um laudo dizendo apenas “cisto no ovário”, ainda não sabemos exatamente de qual tipo de cisto estamos falando.
Existem diversos tipos de cistos ovarianos, com comportamentos completamente diferentes.
Alguns desaparecem sozinhos.
Outros permanecem estáveis por muitos anos.
Alguns podem causar dor.
Outros estão relacionados à endometriose.
Em situações específicas, determinadas características levantam suspeita para tumores ovarianos e indicam investigação mais aprofundada.
Por esse motivo, o papel do ginecologista e do cirurgião oncológico não é apenas identificar que existe um cisto, mas compreender qual é a sua natureza.
Essa diferenciação é baseada na história clínica da paciente, na idade, nos sintomas e, principalmente, nas características observadas nos exames de imagem.
O cisto no ovário é sempre um problema?
Na maioria das vezes, não.
Grande parte dos cistos ovarianos é descoberta por acaso durante um ultrassom solicitado por outro motivo.
Muitas mulheres não apresentam qualquer sintoma.
Outras podem sentir apenas um leve desconforto pélvico ou alterações discretas do ciclo menstrual.
Entretanto, alguns sinais merecem atenção.
Entre eles:
- dor pélvica persistente;
- aumento do volume abdominal;
- sensação de peso na pelve;
- dor durante as relações sexuais;
- sensação de saciedade precoce;
- dificuldade para esvaziar completamente a bexiga;
- crescimento progressivo do cisto em exames seriados.
Embora esses sintomas nem sempre indiquem câncer, eles justificam avaliação médica especializada.
Mito ou Verdade?
“Todo cisto no ovário precisa ser operado.”
❌ Mito.
Na realidade, a maioria dos cistos ovarianos não necessita de cirurgia.
A decisão depende de diversos fatores, incluindo:
- idade da paciente;
- menopausa ou idade fértil;
- tamanho do cisto;
- aparência ao ultrassom;
- presença de sintomas;
- velocidade de crescimento;
- risco estimado de malignidade.
Em muitas situações, apenas o acompanhamento periódico com ultrassonografia é suficiente.
É justamente essa avaliação individualizada que permite evitar cirurgias desnecessárias e, ao mesmo tempo, identificar precocemente os casos que realmente precisam de tratamento.
Quais são os principais tipos de cisto no ovário?
Uma das maiores dúvidas de quem recebe o resultado de um ultrassom é entender exatamente qual tipo de cisto foi encontrado.
Isso acontece porque a expressão “cisto no ovário” é bastante ampla e engloba alterações completamente diferentes entre si. Alguns cistos fazem parte do funcionamento normal do ovário, enquanto outros exigem acompanhamento ou até tratamento cirúrgico.
Conhecer essas diferenças ajuda a compreender por que duas pacientes com “cisto no ovário” podem receber orientações completamente distintas.
Cisto funcional
O cisto funcional é o tipo mais comum de cisto ovariano.
Na verdade, muitos especialistas nem o consideram uma doença, mas sim uma consequência natural do funcionamento do ovário durante o ciclo menstrual.
Ele costuma surgir em mulheres em idade fértil e está relacionado ao processo normal da ovulação.
Na maioria dos casos:
- mede poucos centímetros;
- contém apenas líquido;
- não apresenta componentes sólidos;
- desaparece espontaneamente em poucas semanas ou meses.
Por isso, grande parte dos cistos funcionais necessita apenas de observação e acompanhamento por ultrassonografia.
Cisto folicular
Durante cada ciclo menstrual, vários folículos começam a se desenvolver dentro dos ovários.
Normalmente, apenas um deles amadurece completamente e libera o óvulo.
Quando esse folículo não rompe no momento esperado e continua acumulando líquido, forma-se o chamado cisto folicular.
Esse é um dos cistos benignos mais frequentes.
Na maioria das mulheres ele:
- não provoca sintomas;
- é descoberto por acaso durante um ultrassom;
- desaparece espontaneamente.
Em geral, não existe indicação de cirurgia apenas pela presença de um cisto folicular.
Cisto de corpo lúteo
Após a ovulação, o folículo transforma-se em uma estrutura chamada corpo lúteo, responsável pela produção de progesterona.
Algumas vezes, o corpo lúteo continua aumentado ou acumula líquido e sangue em seu interior.
Surge então o cisto de corpo lúteo.
Esse tipo de cisto também costuma ser benigno e frequentemente desaparece sozinho.
Entretanto, em algumas pacientes pode provocar dor pélvica ou pequenos sangramentos.
Cisto hemorrágico
O cisto hemorrágico merece um destaque especial, pois é uma das principais causas de preocupação das pacientes.
Apesar do nome assustar, ele geralmente não representa câncer.
Esse tipo de cisto ocorre quando há um pequeno sangramento dentro de um cisto funcional.
No ultrassom, pode apresentar um aspecto bastante diferente dos cistos simples, o que às vezes gera insegurança.
Os sintomas podem incluir:
- dor pélvica súbita;
- desconforto abdominal;
- dor durante relações sexuais;
- em alguns casos, nenhum sintoma.
Na maioria das pacientes, o organismo reabsorve esse sangue naturalmente ao longo das semanas seguintes.
Por isso, muitas vezes o tratamento consiste apenas em observação e repetição do ultrassom após algumas semanas.
📌 Resumo do especialista
Nem todo cisto hemorrágico precisa de cirurgia.
A decisão depende da intensidade dos sintomas, do tamanho do cisto, da estabilidade clínica da paciente e das características observadas nos exames.
Endometrioma
O endometrioma, também conhecido como “cisto de chocolate”, está relacionado à endometriose.
Ele recebe esse apelido porque contém um líquido espesso e escurecido, formado por sangue antigo acumulado ao longo do tempo.
Diferentemente dos cistos funcionais, o endometrioma geralmente não desaparece espontaneamente.
Os sintomas podem incluir:
- dor intensa durante a menstruação;
- dor nas relações sexuais;
- dor pélvica crônica;
- dificuldade para engravidar.
Embora seja um tumor benigno, o endometrioma pode afetar significativamente a qualidade de vida e a fertilidade.
O tratamento depende da idade da paciente, dos sintomas, do desejo de engravidar e do tamanho da lesão.
Teratoma (cisto dermoide)
O teratoma maduro, popularmente conhecido como cisto dermoide, costuma despertar muita curiosidade.
Ele se origina de células germinativas, capazes de formar diversos tipos de tecidos.
Por isso, esses cistos podem conter:
- gordura;
- pelos;
- dentes;
- cartilagem;
- fragmentos ósseos.
Apesar desse aspecto incomum, a maioria dos teratomas maduros é completamente benigna.
Entretanto, por apresentarem risco aumentado de torção do ovário, frequentemente existe indicação de tratamento cirúrgico.
A cirurgia costuma ser realizada por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, sempre que apropriado.
Cistadenomas
Outro grupo relativamente comum é formado pelos cistadenomas, tumores benignos que se desenvolvem a partir da superfície do ovário.
Eles podem atingir grandes dimensões e, por esse motivo, muitas vezes necessitam de tratamento cirúrgico.
Os dois principais tipos são:
Cistadenoma seroso
Geralmente contém líquido claro e fino.
Cistadenoma mucinoso
Contém líquido espesso, semelhante ao muco.
Embora sejam benignos na maioria das vezes, alguns tumores mucinosos podem apresentar comportamento diferente e precisam de avaliação cuidadosa.
Tumores borderline
Os chamados tumores borderline do ovário ocupam uma posição intermediária entre os tumores benignos e os cânceres invasivos.
Embora não sejam considerados cânceres típicos, exigem acompanhamento especializado e, frequentemente, tratamento cirúrgico.
Seu prognóstico costuma ser bastante favorável quando diagnosticados precocemente.
O que é uma massa anexial?
Em alguns laudos de ultrassom aparece a expressão massa anexial.
Esse termo não significa câncer.
“Massa anexial” é uma expressão utilizada para descrever qualquer alteração localizada próxima ao útero, geralmente envolvendo ovários ou trompas.
Essa alteração pode representar:
- um cisto simples;
- um endometrioma;
- um teratoma;
- um cistadenoma;
- um abscesso;
- uma gravidez ectópica;
- ou, em alguns casos, um tumor maligno.
Por isso, o termo isoladamente não permite definir o diagnóstico.
O aspecto da lesão, associado aos exames complementares e à avaliação clínica, é que orientará a conduta.
Mito ou Verdade?
“Todo cisto complexo é câncer.”
❌ Mito.
O termo cisto complexo significa apenas que o cisto apresenta características diferentes de um simples conteúdo líquido.
Ele pode conter septações, áreas sólidas, sangue ou outros componentes.
Muitos cistos complexos continuam sendo benignos.
Entretanto, justamente por apresentarem um aspecto diferente, costumam exigir uma avaliação mais detalhada, frequentemente utilizando sistemas de classificação como o O-RADS, que veremos a seguir.
Quando um cisto no ovário pode ser câncer?
Essa é, sem dúvida, a pergunta mais comum entre as pacientes que recebem o diagnóstico de um cisto ovariano.
A boa notícia é que a maioria dos cistos no ovário não é câncer.
Entretanto, alguns apresentam características que aumentam a suspeita de malignidade e merecem investigação mais detalhada.
É importante entender que nenhum médico consegue afirmar, apenas olhando um ultrassom inicial, se uma lesão é benigna ou maligna em todos os casos.
Na prática, o especialista reúne diversas informações antes de estimar o risco daquela lesão.
Entre elas estão:
- idade da paciente;
- presença ou ausência de menopausa;
- sintomas apresentados;
- história familiar de câncer de ovário ou mama;
- aspecto da lesão no ultrassom;
- exames laboratoriais;
- exames complementares quando necessários.
É justamente a combinação desses fatores que permite definir a melhor conduta.
Quais características do ultrassom chamam atenção?
O ultrassom transvaginal continua sendo o principal exame para avaliação inicial dos cistos ovarianos.
Mais importante do que o tamanho isoladamente é o aspecto da lesão.
Algumas características costumam tranquilizar o médico.
Entre elas:
- cisto completamente preenchido por líquido;
- paredes finas;
- ausência de septações;
- ausência de componentes sólidos;
- ausência de fluxo sanguíneo anormal ao Doppler.
Por outro lado, algumas características merecem investigação mais cuidadosa.
Entre elas:
- paredes espessas;
- septações grossas;
- presença de nódulos sólidos;
- papilas internas;
- vascularização aumentada;
- ascite;
- comprometimento dos dois ovários.
Isso não significa necessariamente câncer.
Significa apenas que aquela lesão precisa ser estudada com mais atenção.
📌 Resumo do especialista
O tamanho do cisto é importante, mas o aspecto do cisto costuma ser ainda mais importante do que seu diâmetro.
Um cisto simples de 8 cm pode ser menos preocupante do que um pequeno cisto complexo contendo áreas sólidas.
O que é o O-RADS?
Nos últimos anos, a avaliação dos cistos ovarianos tornou-se muito mais padronizada.
Hoje, muitos radiologistas utilizam um sistema chamado O-RADS (Ovarian-Adnexal Reporting and Data System).
Seu objetivo é estimar o risco de malignidade de uma lesão encontrada no ovário.
Funciona de maneira semelhante ao BI-RADS utilizado na mamografia.
De forma simplificada:
O-RADS 1 e 2
Lesões praticamente benignas.
Geralmente apenas acompanhamento.
O-RADS 3
Baixo risco.
A conduta depende da idade, sintomas e características individuais.
O-RADS 4
Risco intermediário.
Frequentemente necessita avaliação especializada.
O-RADS 5
Alta suspeita de malignidade.
Nesses casos, a paciente deve ser encaminhada para investigação por equipe especializada em oncologia ginecológica.
É importante destacar que o O-RADS não confirma câncer.
Ele apenas ajuda a estimar a probabilidade de malignidade e orienta a melhor estratégia de investigação.
O que é o sistema IOTA?
Além do O-RADS, outro sistema amplamente utilizado em todo o mundo é o IOTA (International Ovarian Tumor Analysis).
O IOTA foi desenvolvido por pesquisadores internacionais para melhorar a diferenciação entre tumores benignos e malignos utilizando principalmente características observadas no ultrassom.
Esses modelos apresentam excelente desempenho quando aplicados por profissionais treinados.
Embora a paciente não precise decorar esses nomes, vale saber que atualmente existem ferramentas bastante confiáveis que auxiliam o especialista na tomada de decisão.
O exame CA-125 confirma câncer?
Não.
Essa é uma dúvida muito frequente.
O CA-125 é um marcador tumoral que pode estar elevado em alguns casos de câncer de ovário.
Entretanto, ele também pode aumentar em diversas doenças benignas.
Entre elas:
- endometriose;
- miomas uterinos;
- doença inflamatória pélvica;
- menstruação;
- gravidez.
Por outro lado, algumas pacientes com câncer de ovário apresentam CA-125 normal.
Portanto, o exame não serve para confirmar nem excluir sozinho o diagnóstico de câncer.
Ele deve sempre ser interpretado em conjunto com a história clínica e os exames de imagem.
Existem outros marcadores?
Sim.
Em algumas situações o médico pode solicitar outros exames, como:
HE4
Outro marcador tumoral que pode complementar a avaliação.
ROMA
O algoritmo ROMA combina informações do CA-125, do HE4 e do estado menopausal da paciente para estimar o risco de câncer epitelial do ovário.
Esses exames não são necessários para todas as mulheres.
Sua indicação depende das características de cada caso.
Quando um cisto precisa de cirurgia?
Nem todo cisto necessita de tratamento cirúrgico.
A cirurgia costuma ser considerada quando existe:
- dor persistente;
- crescimento progressivo;
- suspeita de torção ovariana;
- ruptura com complicações;
- persistência do cisto após acompanhamento;
- suspeita de malignidade;
- grandes dimensões associadas a sintomas.
O objetivo é sempre oferecer o tratamento adequado evitando procedimentos desnecessários.
Cirurgia laparoscópica ou cirurgia robótica?
Quando existe indicação cirúrgica, muitas pacientes podem ser tratadas por técnicas minimamente invasivas.
A videolaparoscopia e a cirurgia robótica permitem realizar o procedimento através de pequenas incisões, proporcionando benefícios como:
- menor dor pós-operatória;
- menor perda sanguínea;
- menor tempo de internação;
- recuperação mais rápida;
- retorno mais precoce às atividades habituais.
Quando existe suspeita de câncer, o planejamento cirúrgico deve seguir princípios oncológicos rigorosos para garantir segurança e tratamento adequado.
Cirurgia robótica para tumores ovarianos no Mato Grosso do Sul
A cirurgia robótica representa um importante avanço no tratamento de diversas doenças ginecológicas e oncológicas.
No Mato Grosso do Sul, os procedimentos robóticos concentram-se atualmente em Campo Grande, onde estão disponíveis as plataformas robóticas utilizadas em cirurgias de alta complexidade.
Pacientes de Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Três Lagoas e de outras cidades frequentemente são encaminhadas para Campo Grande quando existe indicação dessa abordagem.
A escolha entre cirurgia robótica, laparoscopia ou cirurgia aberta depende sempre das características da doença, dos exames realizados e da avaliação individual da paciente.
Quando procurar um cirurgião oncológico?
Nem toda mulher com um cisto no ovário precisa ser avaliada por um cirurgião oncológico.
Entretanto, essa avaliação é recomendada quando existem sinais que aumentam a suspeita de malignidade.
Entre eles:
- massa anexial complexa;
- O-RADS 4 ou 5;
- componentes sólidos no ultrassom;
- ascite;
- CA-125 significativamente elevado;
- crescimento progressivo da lesão;
- forte histórico familiar de câncer de ovário ou mama;
- mutações conhecidas nos genes BRCA1 ou BRCA2.
O encaminhamento precoce para uma equipe especializada aumenta as chances de planejamento cirúrgico adequado e melhores resultados quando o diagnóstico de câncer é confirmado.
Perguntas frequentes sobre cisto no ovário
1. Todo cisto no ovário é câncer?
Não. A grande maioria dos cistos ovarianos é benigna e está relacionada ao funcionamento normal do ovário ou a doenças benignas, como a endometriose. Apenas uma pequena parcela corresponde a tumores malignos.
2. Um cisto no ovário pode desaparecer sozinho?
Sim. Os cistos funcionais, como os foliculares e os de corpo lúteo, frequentemente desaparecem espontaneamente em poucas semanas ou meses, sem necessidade de cirurgia.
3. Qual tamanho de cisto no ovário é considerado preocupante?
O tamanho é apenas um dos fatores avaliados. Um cisto simples de 6 ou 7 centímetros pode representar menos preocupação do que um pequeno cisto complexo contendo áreas sólidas. O aspecto da lesão no ultrassom é, muitas vezes, mais importante do que sua medida.
4. Cisto no ovário causa dor?
Pode causar. Algumas mulheres apresentam dor pélvica, sensação de peso, desconforto durante as relações sexuais ou dor súbita quando ocorre ruptura ou torção do ovário. Muitas pacientes, entretanto, não apresentam qualquer sintoma.
5. O cisto pode romper?
Sim. A ruptura de um cisto ovariano pode causar dor intensa e, em alguns casos, sangramento interno. Dependendo da intensidade dos sintomas, pode ser necessária avaliação médica imediata.
6. O ovário pode torcer?
Sim. Cistos maiores aumentam o risco de torção ovariana, situação em que o ovário gira sobre seu próprio pedículo, interrompendo o fluxo sanguíneo. Trata-se de uma urgência cirúrgica.
7. Um cisto impede a gravidez?
Na maioria dos casos, não. Muitos cistos benignos não interferem na fertilidade. Entretanto, algumas doenças, como a endometriose, podem dificultar a gestação e necessitam de avaliação individualizada.
8. O anticoncepcional faz o cisto desaparecer?
Os anticoncepcionais podem reduzir a formação de novos cistos funcionais, mas não fazem desaparecer todos os tipos de cistos, como endometriomas ou teratomas.
9. Toda paciente precisa fazer CA-125?
Não. O CA-125 deve ser solicitado apenas quando existe indicação clínica. Utilizá-lo indiscriminadamente pode gerar resultados falsamente elevados e preocupação desnecessária.
10. Quem tem cisto no ovário precisa operar?
Não. A indicação cirúrgica depende do tipo de cisto, dos sintomas, da idade, da menopausa, do crescimento da lesão e do risco estimado de malignidade.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Procure atendimento médico com urgência se apresentar:
- dor pélvica intensa e de início súbito;
- náuseas e vômitos associados à dor;
- febre;
- desmaios ou tonturas importantes;
- abdome muito distendido;
- sangramento intenso;
- piora rápida dos sintomas.
Esses sinais podem indicar complicações, como torção ovariana ou ruptura de um cisto.
Conclusão
Receber o diagnóstico de um cisto no ovário pode causar medo e ansiedade, principalmente pela associação imediata que muitas pessoas fazem com o câncer.
Felizmente, a realidade é muito mais tranquilizadora: a maioria dos cistos ovarianos é benigna e não representa risco à vida.
O mais importante é compreender que nem todos os cistos são iguais. A idade da paciente, os sintomas, a fase da vida (idade fértil ou menopausa), as características observadas no ultrassom e, em alguns casos, exames laboratoriais e de imagem complementares ajudam o médico a definir a melhor conduta.
Em muitas situações, apenas o acompanhamento periódico é suficiente. Em outras, pode ser indicada cirurgia para aliviar sintomas, prevenir complicações ou tratar doenças específicas.
Quando existe suspeita de malignidade, a avaliação por uma equipe especializada em oncologia ginecológica é fundamental para garantir um planejamento cirúrgico adequado e as melhores possibilidades de tratamento.
O conhecimento é um dos maiores aliados da paciente. Entender o diagnóstico reduz a ansiedade, facilita a tomada de decisões e permite participar ativamente do tratamento.
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Referências bibliográficas
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- Timmerman D, Valentin L, Bourne T et al. Terms, definitions and measurements to describe the sonographic features of adnexal tumors. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology.
- Meys E, Kaijser J, Kruitwagen R et al. Subjective assessment versus prediction models to diagnose ovarian cancer. Lancet Oncology.
